quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Escrevo

Na segunda-feira, escrevo;
Na terça e quarta, também;
Às vezes escrevo na quinta e
Na sexta quando sinto que convém.
Escrevo nos fins de semana
Nos feriados escrevo quando me apetece;
Em momento de orgulho
No mundo que é só meu
Faço a hora de escrever.
Pasmo sempre quando leio
Admito que não seja eu.
Mas escrevo que importa?
Mais me admira quem não o faz,
Nada sente nada pensa, pois
Nada tem por dizer.
Faço sentir nas palavras
Momentos obscuros de reflexão;
De amor e ódio sou cúmplice;
Hoje entendo o que escrevo, amanhã
Talvez, não.
Que importa então?
Não entendo muito das palavras,
Não sou poetisa
E seria muita audácia
Se a quisesse ser.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Morrer

Eu não queria que você me matasse assim,
Preferiria que fosse por uma forma mais branda.
Que não fosse da mesma maneira que já tentou me matar num passado distante, através da mesmice já conhecida por mim, pelo distanciamento na tentativa de reconstruir uma vida com outra pessoa, distanciando-se para fugir.
Queria morrer alimentando um sentimento.
Morrer pela busca, pela procura, pelas belas palavras mesmo que contraditórias.
Morrer pela poesia pobre e insignificante, pela conquista constante.
Morrer pela esperança dos beijos e abraços mesmo que não venham a acontecer.
Morrer sabendo que ficou uma linda história de vida, de paixão de amor e de uma grande e verdadeira amizade.
Mas assim não, matar-me assim é dizer-me que tudo foi em vão, que eu não devo mais sonhar e muito menos planejar quaisquer possibilidades de retorno.
Matar-me assim é deixar explícito que não sou nada, que não fui nada e esquecer-se que sempre e em qualquer situação existem dois lados.
Matar-me assim é mostrar-me o que você sempre foi e que não consegue alimentar nada além de você próprio, do seu orgulho e é capaz de viver de aventuras mornas valendo-se de qualquer coisa.
Matar-me assim, é não se dar o direito do que realmente você deseja.
Matar-me assim é demonstrar que o amor só existe se for carnal.
Matar-me assim é achar que existem distâncias, e que o amor a elas não resiste.
Matar-me assim é matar todas as minhas possibilidades e deixar-me livre para reconstruir novamente do zero a minha própria vida.
Matar-me assim é não ter consciência de que vou ter de buscar alguém para mim e infelizmente para você, que se diz saber tudo, esse alguém eu ainda não sei quem é, mas também não é e nem nunca foi quem você sempre imaginou.
Eu não queria que você me matasse assim.

Adeus.