terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Nirvana

Sou meio abestada às artes manuais
Engenho melhor as máquinas
Introspectiva fico diante delas, fico imbecil
e o silêncio enche o meu mundo, meio estúpido
Vivo sossegada, descompromissada
Diante de mim, uma parede acinzentada
um varal com peças de roupas penduradas
alguns sons que veem de fora, inidentificáveis
Desenredo o meu silêncio em palavras
turvas, mudas, inexatas
Desprezo os clichês e as suas cópias desordenadas
que quebram o fascínio poético
daqueles que bem escrevem os seus nadas
Assim, passo as minhas horas, encantada
entre turbilhões de ideias
vou afugentando as ditas realidades
dessa sociedade cheia de crendices
Desculpai. Mas não nasci para os afazeres banais
para costurar as roupas rotas
e almoçar ao meio dia e meia
a minha didática de vida é outra
Sei, desiludo, não sou de bom trato
boa companhia
Vou, conforme vai o vento
lamento por causar desapontamento
sou obtusa diante do compreensível.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Saudade II

Sinto muita saudade
das mentiras que me contava
elas me divertiam mais que novas piadas
eu conseguia passar horas e horas a ouvi-las
eram por demais, engraçadas
eu engolia a satisfação, não ria.
Pode me chamar de louca
louca sempre fui um pouco
mas sabendo toda a verdade
e poder ouvir as estórias mais tresloucadas
durante anos a fio da sua boca
era fruição de graça.
Sinto muita saudade
saudade das suas mentiras. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

À Hanna

Hanna possui milhares de "amigos"
tem a Tina, a Lene,
talvez a Celine, Dora e Deusa também
é interminável a lista, impossível falar de mais alguém

Hanna política, artista
toca flauta transversal erudita
em perfeita melodia
mas, somente quando lhe convém

Conheço Hanna de touca
com sorriso cativante e olhar meigo
não é lá boa boca

Hanna é bem do tipo
não é do ambiente boa bisca
joga cartas com o amigo do amigo
e tira proveitos disso

Hanna necessita de estar em evidência
como não tem lá muita inteligência
só faz pacto com a demência.

Efêmera

Sou quem planta a planta dos pés
no fundo do rio das ariranhas
na poeira cósmica
no vértice do kilim

Nada me enaltece
nada me tortura
para cada sensação
revolvo as quimeras da infância

É volátil o voo da emoção
é como seguir os rastros que deixei
nas infinitas dunas em que caminhei

Todo elemento com o seu movimento
cada momento, enriquecimento
os meus fascínios, passatempos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Minha culpa

De quem é a culpa? Deve ser minha
Sou apenas uma parte do núcleo do átomo
Que valor tem a minha estima?
Ensinei aos meus descendentes
civilismo, conduta ilibada
Para quê?
Para viverem e presenciarem
terrorismo e corrupção
comandados pelos marafões no poder
Mas, a culpa deve mesmo ser minha
desiludida com tamanha podridão
escorreguei na casca da banana
que o mandrião mandou ao chão
Tamanha foi a minha desilusão
que derramei tantas lágrimas
e enchi a barragem em Mariana
e ela se rompeu
Aniquilei com o rio tão doce
cheguei ao mar tão salgado
detonei a região
As minhas lágrimas secaram
vai ter seca, faltará energia
afundarei com a economia
e a miséria reinará
e toda culpa é minha.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Essencial

Seu moço,
você não gosta da semideusa
observe quem você ama
a deusa seminua
que toda gente aclama
Você alcoviteiro perverso
não se ressente
inevitavelmente, conivente.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Abichornado

Se você acha que não te dei
tudo aquilo que queria,
eu digo a você
te dei amor, carinho e poesia
mas não era o que você pretendia
dinheiro era a sua inquietação
minha vida, servidão
não importava  a você
o cansaço, o desgaste
no semblante da menina
então eu tomei de você
muito mais do que podia
tirei o seu sono e a sua fantasia
deixei para você
a  saudade da mordomia.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A morte do amor

Para que o amor não fique insosso
Não dure somente uma canção
Não passe de uma paixão
Sou capaz de planejar anos e anos em solidão
Multiplicar tudo que for tangível
Segurança à união
Depois, concretar a alma e o coração
Alicerce para uma duradoura relação
Os desatinados não acreditam nisso
Acham que, se existe amor, mora-se até no lixo
Não existe amor que dure
Quando falta o tostão
Dói tanto outros órgãos do corpo
Que se esquece o coração
Morre a afeição.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sem noção

A vida é assim
A gente vai a todo o vapor
trabalhando que nem cão
do meu conforto não abro mão
até divido o meu pão
e tem aquele que fala mal da minha razão
não tem coração
não aceita o meu casarão
nem o apartamento de magnífica visão
leva um pontapé no bundão
e depois pede perdão
perdão - não
e passa a viver de ilusão
perdido na escuridão
vai se desgraçando para ter satisfação
cai por terra toda a sua condição
perde totalmente a noção
pensa que todos são iguais nessa Nação        
sente-se bem em morar num prédio caixão
de usucapião.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A lista do que vou fazer a partir de hoje:

1) Aprender a surfar.
2) Mergulhar em águas profundas.
3) Fazer aulas de Tango.
4) Fazer um tour de ônibus em Hollywood.
5) Visitar as Cataratas do Niágara.
6) Sentar em um bar ou café em Paris (já fiz mas talvez faça novamente).
7) Ir à Graceland.
8) Dar de presente as minhas joias preferidas.
9) Acampar em uma praia perdida na Grécia.
10) Visitar o Muro das Lamentações e escutar o silêncio através da cacofonia de barulhos.
11) Visitar ao menos cinco das Sete Maravilhas do mundo.
12) Fazer aulas de tênis e de vela.
13) Nadar nos cinco oceanos, de preferência no mesmo ano.
14) Fazer uma caminhada sobre o Pacific Crest Trail ou le John Muir Trail.
15) Hospedar-me no Post Ranch Inn, hotel de luxo na costa de Big Sur.
16) Ir ver um espetáculo da Broadway.
17) Escrever o meu próprio diário (de bordo).
18) Retomar o contato com um amigo que não falo há ao menos 10 anos.
19) Ensinar a alguém algumas das minhas habilidades.
20) Gastar o meu dinheiro em uma coisa extravagante.
21) Visitar o mercado à Chichicastenango, na Guatemala.
22) Fazer fogueiras.
23) Visitar o Lago Azul na Islândia.
24) Contar uma piada que vai fazer todo mundo rir.

Frase

Ser desonesto consigo mesmo é acreditar em uma história que você não viveu ou presenciou, sem antes analisar os dois lados.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Metamorfose por completude

Querer ser é humano
Ser per se stante
Não, é perjúrio introspecto

Professa  com imprudência
valores internalizados
avivados de senso comum

Sem moral e com medo
ceifa a consciência
alivia a vergonha, silencia

Apartado de si e sem ser
não persuade
debalde luta pela plenitude

Certo da incompletude
metamorfoseia-se algures
abasta-se com qualquer ser

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A vergonha de ser feliz

Por que você julgou que eu fosse morrer?
Tenho a certeza que era essa a sua maior vontade
Minha verdade?
Estão nos anos que vivi quase morta
de arrependimento e sofrimento
suportando a infelicidade
pela falta do meu próprio eu
da minha autonomia e estabilidade
trocados por um ambiente hostil
Fugi para ter de volta o meu mundo
Continuei por algum tempo a sofrer
sabendo da sua insanidade
revolta, ódio e até onde iria a sua intolerância
E eu te digo, você trabalhou como rato de esgoto
mas, víboras se alimentam de ratos
Como disse o poeta Gonzaguinha
"viver é não ter a vergonha de ser feliz"
Eu sei, você não conseguiu a sua vingança
mas encontrou a bonança
sem a vergonha de ser feliz
Sabe por que o poeta disso isso
sobre a vergonha de ser feliz?
É que a felicidade está no amor que sentimos
e quando não existe amor de verdade
sabemos que a felicidade é passageira
são momentos no arrepio das ilusões
apoio para as frustrações
Sem consciência e em apuros
usa-se e abusa-se incondicionalmente
por um tempinho feliz
Mas, quando consciente
sabe da "incompletude" que tem
e aquilo que completa é incompleto também
É isso que nos causa vergonha
e para suprir a danada
grita-se aos quatro ventos
que não tem a vergonha de ser feliz
por já estar desolado
com a felicidade que tem ao lado
E digo ainda,
não vou morrer por causa da sua felicidade
pelo contrário
ela suscitou a minha independência de responsividade
libertada das suas agruras
e tenho vergonha de dizer
pela falta de carência interior
o quanto sou completamente feliz.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Retaliação

Foi de uma insistência de proeza épica
ocasionando a minha cedência impensada
ao  encontro virtual
resultou em uma paixão que me cegava
em um amor incondicional
tudo em mim se alterava, palpitava
da carência para despropositados atos
abandonei o holograma
converti tudo para o real
deparei-me com um corpo delicado
revestido com alma fétida
com sorriso falso e o beijo esmolado
não chorei, não protestei
apenas aprendi a imitar com o ser camuflado
habituado a ludibriar
quebrador de corações
destroçador de ternurinhas
sem nunca se importar
joguei o jogo dos fracos
minha artimanha
fazer com que sentisse em sua pele falsa
a dor que toda gente sente quando menosprezada
com um belo sorriso nos lábios
sentei-me à mesa
e degustei o melhor do cardápio.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O estado da arte da ignorância e o poder

Eu bem sei que você não tem nada de bom
Esse é o seu carma
Não tem beleza
Além disso, teve a má sorte de ser pouco dotado
por pouco seria eunuco
Anda encurvado denotando a preguiça
Não tem dinheiro nem estudo
analfabeto funcional
É fraco e necessita de estar acompanhado
para desfrutar dos haveres alheios
Até tenta manipular, mas é facilmente manipulável
só faz o que os outros mandam
Camufla-se de penas macias
mas a alma é de felino
Reina no seu âmago a acusação
O seu umbigo é o centro da galáxia
O seu 'machismo' a sua desgraça
O seu inimigo é quem te estende a mão
Você é o bobo da corte
companhia à diversão
Sua mais forte característica é a usabilidade
lenço descartável
papel higiênico feito de material reciclável
Suas crenças, valores, mitos e ritos
são históricos, do mais remoto passado
Você até que consegue algum espaço na corte
é o tipo necessário aos donos do poder
A sua alcateia é das hienas
para limpar o que se deixa apodrecer
Alimentado, solta risadas de consideração
Inevitavelmente substituível, esse é o seu sofrer
Revoltado por perder as migalhas
pega o seu martelo e ameaça todos acima de você
Tem desejo de vingança, quer matar e quer morrer
Arremessa a esmo as suas armas
cai exausto, não atinge nada
só tumultua a ordem do poder
cai na jaula, fica um tempo e se acalma
espera a sorte lhe sorver
Eis que acontece o acaso
volta a dançar conforme o embalo
assim vai levando a vida sempre ausente
mesmo no estado presente
E eu solto o meu grito
 - Ignorante!!!
necessitamos de gente como você.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Safo

Já tarde da noite, chegando em casa
depois de mais uma teatralidade
da  aula que conduzi na faculdade
me dei conta que sou agiota de vida

Quem necessitar poderá pedir-me emprestado
sem hesitar, não sou capitalista
posso até colocar um preço
cobro um sorriso, dou-te o endereço.

Impostura

Chegou pisando leve como uma lebre
Não podia fazer nenhum barulho
Sorrateiramente amarelado
Não acendeu a luz
Culpado, assustado
Não podia ser pressentido
Mas a desgraçada da coruja
Soltou um pio de som soturno
- Ele ficou com os olhos esbugalhados
A sua senhora levantou-se marmota
E ele, não havia pensado na lorota.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Frase

Conheci uma pessoa tão má que, quando resolveu me destruir diante de determinada coisa, cessaram os meus pressupostos de existência e o objeto passou a ser perpetuamente inexistente.

Frase

Eu vivo uma vida feliz, tenho como critério, abraçar os meus objetivos, não dependendo das pessoas nem das coisas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O último ato

Vejo-te lindo, sorridente, reluzente
todo contente, arranjado em cor
não carece de tabaco, ficou casto
bebe do bom licor

Mas, que derrota à devotada
com o lume apagado
vagando em meio ao nada
lesa, fria, em noites de calor

É tão passageira a felicidade
murcha a flor da vaidade
traga a cachaça, do pulmão sai a fumaça
companheiros do sofredor

A abestada arrefecida
dedicada conselheira
acariciará a tua pálida beleza
adornada, coroada em flor

Terás noite de brilho
mar em calmaria
o lume acenderá a mais bela fogueira
ao nobre Viking? Penhor.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Contradição

Disseste
Quero lá saber de economia
de política e de filosofia
Quero lá saber de poesias
de futebol e sociologia
Quero é saber o que queres
quero saber se estás por mim
Eu respondo-te:
Não faço filantropia
vivo de saber de economia
política, filosofia, futebol e sociologia
Enquanto tu, abana bandeirinhas
fazendo campanhas de politiquinhas
atrás de mesquinharias
tentando cabelos curtos
fazendo analogia
tirando verruga do rosto
perdendo autonomia.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O idiota

Lisonjeou-me, adulou-me
carismaticamente
galhardamente
para encobrir a imaginada galhada
camuflou-se pretensiosamente
subjugou-me com a absoluta certeza
que a sua idiotizada sedução
aliviaria a sua oprimida cabeça.

Perdeu e, perplexo, se odiou
alucinado  em trama, em conspiração
chamou-me hipócrita
e eu vos digo:
minha alma fica intransparente
a minha virtude se torna disfarçada
quando digladio com idiota
porto-me hipocritamente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Analogia

Um homem é intitulado guerrilheiro quando luta contra uma Ditadura,
um homem que luta contra uma Democracia, este é um autêntico terrorista.
Um homem que sabe viver consigo mesmo é sábio,
um homem que necessita de qualquer coisa ao seu lado para viver é desventurado.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Triste sorriso e olhar

Colocar a alma em busca da felicidade
esse era o seu lema

Da minuta fazer a tese da vida
descartando os problemas

Acreditar que as ditas injúrias
eram inveja do seu emblema

Criar um sinistro jogo
assassinando o apoema

Presumir  uma conclusão fiável
resultando num dilema

Querer reinar na guerra fria
levando a sua vida à tormenta

A sobrar um triste sorriso e triste olhar
fechamento do indecoroso tema.

sábado, 12 de setembro de 2015

Escarnecimento

Ei! Linda mulher
venho lhe pedir um favor
Qual o motivo do meu pedido?
Já que você laçou o meu vagabundo amigo
o meu velho colibri
me faça então esse favor.
Cuida da minha camélia
para que ela floresça bela
me faça esse favor.
O meu vagabundo colibri
abandonado pela flor mais bela
do mesmo pomar da minha camélia
já se distanciou...
Ei! Linda mulher
para cuidar da minha camélia
observe a sua cútis como ficou mais bela
depois que o meu vagabundo colibri te adubou.
Adube a minha camélia
para que floresça mais bela
adicione a ela, vitaminas para plantas que dá flor
principalmente , ferro, mas aos pouquinhos
do mesmo tamanho daquele que ainda te aduba
-se aduba-?!!!
Assim, ela florescerá muito mais bela,
da mesma maneira como você ficou.

Chalaça

A flor doou o seu néctar
O beija-flor se satisfez
sugando até a última gota do doce mel
da bela flor que o afugentou
 que não perguntou, não exclamou
não perturbou, só aguentou
A bela flor, por ironia
se fechou
O beija-flor não suportou o engodo
da flor serena, aveludada
que se distanciou do sugar maldito
Ele, sem o sabor da linda flor
passou a sugar a flor sintética
que se abriu bela, necessitada
anestésica.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Vidão

Vidão
não tenho preocupação
Deito na rede
admiro a constelação
Se não quero inverno
tenho verão
Se tem discussão
eu sempre com razão
Falta dinheiro hoje
logo ali, arranjo muito tostão
Para cara sisuda
abro um sorrisão
Se alguém está perdido
eu considero ilusão
Viver de sonhos?
Não vivo, não
Se tem lagosta, eu como
senão, cai bem uma porção de berbigão
Compro um cajado pra pagar promessas
e, vou mesmo é de carrão
se mais distante, navio ou avião
No lombo do burro
visito o sertão
Se tem swell  
entro no tubão
senão, pego jacarezão
e vou levado um vidão
fazendo mochilão
por esse mundão
Se chateia comigo, não
Tchau, tiozão.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Frase

Prefiro a pessoa que fala muito e não diz nada à que não fala nada e mostra a sua bestial essência. 

sábado, 8 de agosto de 2015

Desejas a minha opinião sincera? Nunca deixe o seu país, isso chama-se autoexílio. O autoexílio é muito doloroso. Demora-se a perceber e será sempre tarde quando se percebe, já foi.

Clique no link abaixo:
http://letras.mus.br/zeca-afonso/917723/


Frase

Aqui, inverno quente, aí verão sufocante, aqui saudade por ser inverno, aí curtição por ser verão. Aqui sempre verão, saudade, não. Quando aí inverno, decepção, aporrinhação. Aí uma passageira nega sorridente, aqui um alemão por paixão. Beijão

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Elegia

Eu queria escrever sobre  o amor
sentimento louvado pelos grandes poetas
que cantam amor como profetas

Tentei e tentei por infinitas vezes
transcrever sutilezas de sentimentos
sou obtusa, aposento

Amargo na pena que me trai
escorregando sempre ao reverso
ficando sem beleza o meu verso

Recaída

Fecham-se  todos os cadeados
a fim de não ter de suportar a repetição da moléstia
dos desentendimentos por rotulação
da degradada vivência

Desgoverna-se  pela droga o sentimento
nas noites de amargura do enlouquecedor dia
Procura-se nas portas entreabertas, esquecidas
transcrever emotividade adormecida

Insanidade é o que significa
traçar-se um efeito inabalável
depois, apagar das espinhas as causas primárias
proporcionando o caos interior do que já estava resolvido

Acorda-se arrependido
tateia-se as portas novamente
foram lacradas inteligentemente
para não invocar dupla recaída.

domingo, 2 de agosto de 2015

Lembrar de esquecer

Esqueci-me de lembrar do que não era para esquecer
Acabei por esquecer o que havia de lembrar
Lembrei do que teria de lembrar
É triste lembrar, que o lembrar era esquecer.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Errante

Então, amigão
Não se apoquente, não
Encontra-se em boa região
em terra de todos os Santos desse Brasilsão
Tem boa tribo, tem mãinha e painho
todos de bom córação
É São Salvador da Bahia
o terreiro tem magia
é só não partir pro sertão
Muito mar, muita folia
música pra boa audição
Na Bahia os Santos protegem
tem farinha de mandioca
não se passa fome, não
Sem contar com seu nobre clima
que é de única estação
Caro amigão
caso se sinta acuado
oxe, desprotegido
é só lembrar que aqui tem terra pra toda gente
nesse grande Brasilsão
O Espírito Santo acolhe a Bahia
e também tem religião
Nossa Senhora da Penha
no ponto mais alto do morro
vai te dar proteção
Mas, vai ter que pegar no batente
como faz toda gente
dessa região.

Desolado


Todo silêncio está coberto de razão
não há discussão

Fez de mim um manequim despido
que ao fitar o meu semblante frígido
o meu olhar  ao  infinito
sua face exterioriza desilusão

É  malogrado quem insiste
em desnudar-me por tolices

Queixa-se agora que se apercebeu
ser lesa criatura
 tamanha celeridade ao revide
revelou-se frívolo, triste

Ficou nua e crua a sua sovinice
Desejar boneca desnuda,  é sandice

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Eu, esteio

Tens uma beleza radiante
um comportamento subliminal
um andar cativante
uma elegância descomunal

Será tudo isso subliminar?
Não te encontras onde dizes estar?
És um rótulo ambulante
uma aparência a tragar?

É dolorida a desconfiança
Quando voltas ao teu lugar
não tocas em meu corpo
ficando sempre no limiar

Ardente e fútil beleza
A gozar do teu eu profundo
É amor perdido, imundo
Desprezível o teu gostar. 

Espaço restrito

O meu trabalho de ontem
é recomeço do hoje no cansaço
O meu sonho do passado
é  o meu trauma presente
O meu pressentimento do erro
é o acontecimento exato
Os meus juramentos secretos
é a insônia da noite
O meu grito de guerra
é o fantasma da liberdade
A minha condição secundária
é a solicitude
O meu primeiro passo
é na areia monazítica
Os meus princípios
é no espaço de um metro quadrado.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Transtornado

Enquanto eu penso
Outros detonam
inutilizam

Enquanto eu faço
Outros desfazem
abominam

Enquanto eu vivo
Outros sofrem
aniquilam

Enquanto eu feliz
Outros detestam
retrocedem

Enquanto eu poesia
Outros marasmo
desatinam

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Canto da insônia

A noite começa a ficar longa
A briga é entre mim e a cama
A máxima está no não pensar
Não, não tem jeito
Tudo emaranha nas lembranças
Vejo Bandeira na tela escura da TV
Leio Florbela tão viva que fica na cabeceira
Escuto Pessoa  nas lástimas de Belchior
Numa nuance, na neblina da madrugada
Forma-se a imagem do meu menino
Tão real, tão lindo
Inatingível, se desfaz e morre
Minha face apresenta desgaste
E o dia nasce perfeito.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Feliz aniversário silencioso

Eu sei da sua saudade
Não se torture por senti-la
A saudade é mágica
Ela é extravasada
No grito
No sonho
Na revolta
No suspiro
No telefonema silencioso
E naquele não atendido
Enquanto sentir saudade
Terá certeza que tudo foi verdade
E só se sente saudade
Do que foi felicidade
Agradecida eu fico
Por se lembrar do meu aniversário
Na primeira hora de 23 de maio.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Gaita

A gaita ele tocava
para agradar a sua amada
Ela suspirava...
No meio da música ele sempre parava
De súbito tinha náuseas
Na pia tossia, cuspia
lavava a cara
A amada nada indagava
não entendia
o tamanho esforço
que a gaita lhe exigia
Ele mostrava talento
mas tinha dificuldade
com o tal instrumento
Ora gaita, ela exclamou
numa noite fria
Com tantos instrumentos no mundo
Por que ele não escolheu
o que mais lhe apetecia.

Secar o erudito

Abri um antigo estojo
esquecido,
no seu bojo
canetas de finas penas
folheadas a ouro
Veio-me lembranças
parcas
de valores estreitos,
as canetas seriam de efeito
àqueles que se sustentam
pela pompa do objeto
pela ostentação
As penas, além de mim,
tiveram outros donos
que nada fizeram com elas
Fui homenageada
e as obtive por prenda
como estratagema
para secar as minhas escritas
assim, como o tinteiro
que junto delas, secou
Joias improdutivas
ferramentas impróprias
sem envergadura
às prosas e poesias.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Eterno Vergel

Sente-se bem?
Ganhou com o que fez?
A adrenalina deixou o seu sorriso mais sarcástico?
Falou para os amigos e família o que você fez?
Sentiu prazer em pisotear o meu vergel?
O meu vergel é de bits
Ele é apenas a minha arte em fotografia
O meu sentimento em código
O meu delírio mental
É incumbência do tempo fazer desaparecer
o que é  material
Vamos cair no esquecimento
Só o meu vergel não irá sumir
E você, lá na sua cerração em ostracismo
Atributos levados da terra, inveja e ciúme
Assistirá o meu vergel brilhando na nuvem.

Sobre você

Eu queria escrever sobre você
Já me disseram que não sou boa com as palavras
Talvez seja a minha ironia que desmantela a minha escrita
Escrever sobre você é demasiado complexo
É como arrancar da cartola um coelho
zombar e criar ilusões com o nada
Com essa mágica, a mim, devem respeito
Descrever as partes físicas, as mãos pequenas
nariz pontiagudo, corpo roliço
andar da preguiça
algum encanto sempre fica
As palavras que sussurradas, saídas dos finos lábios
têm leve doçura, mesmo embaladas pela língua ferina
Os olhos não se fixam, sempre olhando de menesgueio
com certo galanteio
buscando solicitude de alguém por perto
não do meio
Em você todo o brilho do físico se perde
perante o seu interior, a civilidade, o zelo
O carisma como se doa e comunga socialmente
amparando, franqueando os necessitados
sem "cobiçar", como se estivesse em Calcutá
voluntário do bem com posses alheias
Um perfeito filho, sonho de toda mãe, homem com "H"
garanhão de pasto
Com as noras, não deixa água aos sedentos, faltar
Relutante às datas comemorativas
mas não falta pro jantar.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Vida perfeita

Penso no passado e me lembro o quanto fui feliz,
Hoje, no presente, que no futuro será o passado, sou feliz
Logo, no futuro lembrarei do passado o quanto fui feliz
Portanto, o quanto eu viver, viverei sempre feliz
Esse é o estado da arte de viver.

Surto

A distância deixa o cérebro perdido
A imaginação vai fluindo
Criando situações como se fossem reais

É tão grande a dor que os olhos passam a ver
como imagens, os construtos místicos

A distância esquiva o golpe que amenizaria a dor
E o emblemático sentimento impõe mais sofrimento

Para arrebatar da alma tamanha figuração
Vende os objetos, queima as fotografias

Vê-se sem saída, sem solução
Faz o jogo da sedução

Desvairado e perdido, manipula  almas carentes
Supondo ferir outro coração

Toda força externa desobriga da propícia razão
Perde totalmente a vida

Do desequilíbrio aparecem as dores nas articulações
Queima em febre, fica acamado na escuridão

Nessa disfunção, cai no próprio engodo
Fisgado, ferido, é fera enlouquecida

Surta, urra na escrita, afronta
Injeta como escorpião, o veneno maldito na vítima

Passa a viver de antidepressivos, paliativos dos sintomas
Pelo sexo, droga e boêmia
Decadência do status quo consoante fantasia.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A mentira da Marília

Como foi capaz Marília de me enganar desse jeito?
Estamos um pouco distantes bem sabe mas, vem pedindo a minha ajuda
Corro atrás que nem louca
De repente, vejo a sua foto postada e observo, encontra-se noutro país
Curti, me senti feliz, desencanei da preocupação
Recebi o telefonema do estágio que pra você eu consegui e, somente agradeci
O Pedro, lembra dele, aquele que você queria conquistar
falei pra ele da sua condição, então, ficou com a Márcia
Que te aconteceu Marília?
Agora descobri
Postou uma foto antiga sem data-la
confundindo toda gente, sem sair do seu lugar
Os amigos ironizaram, a sua timeline virou bagaço
Marília, não sei o que dizer, perdeu a compostura e
todas as oportunidades de encontrar a felicidade
com a sua brincadeira infeliz.

Partir

Quando parto para uma longa viagem
Não reparo mais nas estradas, às belezas dos campos
que ao lado correm e se distanciam
Nem presto atenção nas conversas durante o trajeto
não me lembrarei  das palavras ditas
Quando parto
Parto consciente como quem sabe ir
Não importando lembranças e histórias dos anos vividos
Muito menos os beijos e fotografias da despedida
Não olho para trás quando me encontro  no corredor de embarque
Tudo se torna passado no presente da partida
Eu que parto, vou, não fico
Quando parto
Poderá ser para voltar, o que seria uma nova partida
Se volto, sei, não vou encontrar o mesmo lugar
do dia da partida
Eu, que parto
Sei ir e sei voltar
É me conhecer e reconhecer
As mudanças que acontecem depois da partida
É o novo em causa
As diferenças nas estradas, os campos passaram a ter casas
Os amigos não mais encontrarei
Os seus corpos e faces se transformaram
Suas filosofias de vida estão apoiadas em novas bases
Eu, que sempre parto
Parto com sabedoria, sabendo que nunca voltarei ao passado
Portanto, nunca olharei para trás na partida
Partir é reconhecer a eterna despedida.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Ilusão da beleza

Teus olhos claros
irradiam o brilho da tanzanita
de enlouquecedora beleza
enquanto, mantem-se vestida
enrolada no tecido negro
nessa burca bendita
acolhedora dos defeitos.
És mais feia que uma nuvem carregada
na maturidade à trovoada.
Essa sua crença deve ser mantida
num  mando que a proteja
capaz de submeter ao desejo
quem gosta do seu azul cortejo
ludibriado em segredo.

terça-feira, 31 de março de 2015

A flor do poeta

O néctar, a sua alma mais profunda
O pólen que germina em palavras
inspiradas nas tenras folhas esvoaçantes
os mistérios, dos perfumes das pétalas

As cores, o amálgama da beleza,
solidão misturada em fantasias
O caule que a brisa  dobra
são sentidos que a poesia abriga

No outono, a flor do poeta
canta folhas secas, nostalgia
A sedução não é mérito da primavera
é o ocluso na bela flor da poesia.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Loucas

Irmãs, somos loucas
Loucas maravilhadas
grandes almas
desalinhadas
Nossos homens
deslumbraram
Quiseram apertar o nó
puxamos a ponta do laço
Eles, tornaram-se EX
e não entenderam o significado
Explico: EXcêntricos, EXportados
 Não entenderam?
São vazios, ficaram incomodados
Desejando de volta
as loucas ao lado
Então mando aos EX's alguns adjetivos
num contexto de exaltar
vocês foram EXpurgados
Dessa família, EXcretados

quinta-feira, 12 de março de 2015

A mentira

Somos humanos e mentimos. Mentir é uma das fraquezas dos homens, seja a mentira como uma forma de proteção dada a vergonha ou medo pelas simples ações impulsivas ou para omitir uma cruel realidade. A mentira seja ela, branda ou destrutiva, será sempre sinistra e, devemos aprender a lidar com as consequências quando formos descobertos. Portanto, não são as mentiras alheias que conduzirão a sua vida à decadência e sim, as suas próprias mentiras entranhadas no seu âmago e sustentadas como verdades que irão destruir você. Colocar-se como vítima das mentiras dos outros é o mesmo que mentir três vezes para você.
A verdade é nua, a mentira, vestida.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Flor roubada

Lembra da flor vermelha que me ofertou?
Estava no carro que a gente comprou
Era linda, fiquei lisonjeada
Depois, fiquei sabendo que foi roubada
Logo me descontentou e,
a deixei esquecida
murchou no painel do carro
Lembra dos espinhos que lá ficaram?
Eu engoli os desgraçados
com um sorriso no lábios
Mas até hoje encontram-se
em minha garganta entalados
É assim a vida
feita de pequenas nocividades
que desvendam grandes enigmas
da personalidade
Uma flor roubada
provoca grandes feridas
Uma risada para o amor
enfraquecido, desiludido
um  artifício
para suportar até o momento
da derradeira despedida.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Impecável loucura

O meu lado louco é o mais afável
o mais sincero e enlevado
isento de disfarces;
No meu lado louco
encontra-se a minha sagacidade
distante da loucura normal;
O meu lado louco
não reflete no espelho
é a essência íntima, intangível
uma imagem de mim e que,
pessoas ao ar como fantasmas
tentam alcançar;
O meu lado louco, não domesticável
desobrigado do crivo social
é o enigma que fascina
tornando-me um ícone impecável
que atrai infames iconoclastas.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Letras

O "R" de refutar, renegar, de reduzir a cinzas
E o "O" de outrem, opositor, opressor, OVNI
O que daria o "T"? Tirano, teimoso, terrorista, talvez tabu
O "I" da ilusão,  inveja, imposição, impotência
E pior, ignorância
Com o "V" então...  vingador, vacilão, violador
Chega, que vomito.

Pelas trilhas do Vergel

Caminhe pelo vergel
Não escolha a estação.
Ande por todas as trilhas
Irás encontrar maravilhas
De variadas intenções,
É a arte, que beleza!
Subjetividades
Destrezas
Construtos de pensamentos
Pura imaginação.
São muitas vertentes, de certo
Encontrarás ódio e alegria,
A escolha é aleatória,
Verás as mais variadas formas
Dependendo da sua trajetória.
Se mais sisudo, mais rancores
Se mais desnudo, mais flores.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Lógica do louco

Vem..., louco
Atraído pela ira dos desencantos
Em pele de cordeiro
Voz doce
Sonhos a realizar.

Vem..., louco
Amaciando a vítima
Encorajando-a com malícia
Desconcertando o enredo
Espreitando na contramão.

Vem louco, nas suas diferentes formas,
Surpreender com a sua metamorfose
Com sua opaca e colorida aparência,
Tentar através da fresa
Enviar um friso da sua maldita luz.

Vem...
Mais uma vez como veludo,
Emerge do seu submundo com a sua maleficência
A repousar no colo amigo
O seu mundo hostil.

Liberdade

Tiram-me as algemas D'alma
Sinto-me em total liberdade
Como uma gaivota que alça voo
Ao mais alto dos ares.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Macho

Macho que é macho é assim
Escondido atrás da porta
Urra que nem leão
Gritando palavrão

Quando sofre pressão
Vendo a parada perdida
Enfia a cabeça no vaso
E vomita, vomita

Eita! Cabra macho
Com tantos perfis falsos
Não sabe mais quem ele é
Se homem ou mulher

E lá vai o macho
Tomar goles de whisky
Empunhar o telefone
O valente, o belicoso

Parte para perturbar nas madrugadas
Velhinhas viúvas
Criancinhas inocentes
Mulheres e toda gente

Quando um Homem lhe atende
Dispara o seu coração
Então, ele cerra os dentes
E mija no calção.

Macho que é macho é assim.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Zeus

Meu magnífico Deus grego
Vejo que se encontra perdido
Por essa semideusa que brilha
Ofuscando os seus sentidos.
Sua profecia de macho dominante
Da promiscuidade - amante -"brilhante"
Empunhando a sua égide tosca
Não passa de um pastor malogrado
Revolvendo nuvens com trovões e raios
Tentando implodir o seus indomáveis sentimentos
De ciúme, inveja e raiva
Dentro do seu peito, aglutinados.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Esterco

Disseste bem
Não valho um esterco
Foste o esterco falaz
que tentara adubar e adular
a mim, essa linda roseira
germinada entre as duras rochas.
O esterco há tempo
fora perdendo os atributos
as particularidades
propriedades
penetrabilidade
Hoje tu, esterco
só aduba e lisonjeia
ervas daninhas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ignorante

Os ignorantes nunca mudam. Ouço e leio de um ignorante palavras discrepantes entre o surreal e o aceitável, lesando algo que deveria ser intocável. Com esse objetivo ele mostra a repulsa que sente presente na condição de homem inferior. Portanto, por muito mal que ele faz, ele nunca deveria vociferar os seus distúrbios mentais.

Ele valoriza por demais as palavras cruéis, quando deveria dar o justo valor àquilo que afinal sente, e se livrar da consciência pesada em relação as afirmações que faz.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Degrau a degrau

Eu nunca tive pressa,
nunca corri,
sempre andei
com os meus passos curtos e lentos,
e nessa minha constância
sempre consegui fincar a minha bandeira
no topo das mais altas
montanhas. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Nada

Adoro fazer nada. Quando nada faço sou indesejável. Nesse instante é o que faço, nada. O nada parece torna-se impuro. Como pode alguém não fazer nada? Eu posso. Acanho-me e ruborizo quando sou elogiada de malandra, folgada, não tenho apreço por elogios. Essa timidez ainda me mata.

Cheiro

Ah! Esse meu olfato
ele é muito cruel comigo
Se o teu cheiro é diferente do meu
e é gostoso, alucino
sou amante enlouquecida
Quando cotidianamente
misturado ao meu
perco o fascínio
ganho um amigo
Se o teu cheiro
for misturado ao de outras
serás indesejável
terás cheiro de cachorro molhado
Para mim
estarás amaldiçoado.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O nada

Se acha que lhe devo algum dinheiro,
envia a cobrança que eu pago.
Se me disser que lhe devo a sua vida
peço que coloque o seu preço.
Se me falar que a sua vida não tem preço e sim valor,
Sinto muitíssimo,
não haverá resgate.

Toque

Um hangout ao alcance de um clique
Um contato na lista que os olhos não piscam
Uma vontade de falar que desequilibra
Um medo generalizado de dar o grito
E assim se sacrifica
Enche o raio do saco e
Desliga.